Em 15 de agosto de 1996, a Nokia apresentou o 9000 Communicator, um dispositivo revolucionário que combinava telefone, fax e internet. Veja como ele abriu caminho para a era dos smartphones modernos.
Quem pergunta hoje qual foi o primeiro smartphone da história provavelmente ouvirá a resposta: o original Apple iPhone, lançado em 2007. No entanto, se considerarmos a definição técnica de um dispositivo prático capaz de enviar e-mails, navegar na web e fazer ligações, o mérito cabe ao Nokia 9000 Communicator, que completou 30 anos no mercado nesta segunda-feira, 15.
Um avanço para a sua época
O Nokia 9000 Communicator era um dispositivo robusto, mas ao abri-lo, revelava-se um teclado completo e uma tela LCD monocromática. Para a época, era uma máquina de produtividade. Anúncios da época destacavam a capacidade de realizar “trabalho real” em movimento, incluindo o envio de fax e acesso à internet, algo inimaginável para a maioria dos usuários comuns em meados dos anos 90.
Em 1996, o dispositivo era considerado de vanguarda. Equipado com um processador Intel 386, 4,5 polegadas de tela (na época, considerável) e 8MB de memória, ele funcionava como um organizador pessoal, um telefone e um navegador web em um único corpo. A revista Personal Computer World o descreveu como “provavelmente o mais excitante dispositivo de 397g já visto”.
O legado e o impacto no mercado
Apesar do hype inicial entre profissionais de TI e executivos, o Communicator nunca atingiu o público massivo como o iPhone faria décadas depois. O preço era proibitivo para o consumidor médio: custava cerca de £1.000 no Reino Unido (equivalente a mais de R$ 7.000 em valores atuais, ajustados pela inflação), e seu tamanho o tornava pouco prático para o uso casual.
Jorma Ollila, ex-CEO da Nokia, afirmou anos depois: “Estávamos cinco anos à frente”. Frank Nuovo, ex-designer-chefe da Nokia, também lamentou que a Apple tivesse “roubado a vantagem” conceitual que a finlandesa havia criado. O Communicator serviu como um passo crucial, validando a ideia de que celulares podiam ser computadores de bolso, mas foi a Apple quem democratizou a tecnologia com um design acessível e uma interface amigável.